2011/09/29

TRAVESSIA DE OUTONO 2011 - FIGUEIRA DA FOZ


            O estuário do Mondego e a Praia da Claridade serão o cenário para mais um encontro de entusiastas da canoagem de turismo, a Travessia de Outono 2011.
             Para esta edição, a decorrer nos dias 29 e 30 de Outubro, planeámos três percursos possíveis, dos quais faremos dois consoante as condições de mar e a tabela de marés: um dos percursos explora o sector final do estuário do Mondego, com as suas zonas de estaleiros, docas e salinas, visitando também um moinho de maré e o Ecomuseu do Sal; o segundo percurso leva-nos para fora da barra, para mar aberto, rumando a norte ao longo da Praia da Claridade, explorando a costa até à zona do cabo Mondego e da Murtinheira; por último, o terceiro percurso será a opção no caso de as condições de mar não permitirem a saída da barra, tratando-se de uma descida do Mondego, entre Montemor-o-Velho e a Figueira da Foz.
               Relembrando um dos objectivos da KftP na organização destas actividades -a angariação de fundos para projectos de desenvolvimento- e não cobrando qualquer inscrição, apela-se novamente ao espírito solidário dos participantes, no sentido de efectuarem junto da organização um pequeno donativo que permita ajudar à execução do Plano de Acção 2011-2013, nomeadamente a ajuda na construção do Centro de Saúde de Cobué e a aquisição de material clínico e de enfermagem.

DIA 29, Sábado
09:30 – Concentração na Figueira da Foz (local a designar).
10:00 – Brieffing e início do percurso 1 (20km)
è Esta tirada tem início numa das docas da Figueira, com a maré a começar a encher, levando-nos pelas várias instalações portuárias e estaleiros. Com a subida da maré vamos poder rumar para montante, ao longo dos canais do salgado, visitando um moinho de maré e o Ecomuseu do Sal.
17:00 – Final do percurso, acondicionamento do material e alojamento.
19:30 – Jantar - Local a definir.

DIA 30, Domingo
09:00 – Concentração (local a designar).
10:00 – Início do percurso 2 ou 3 (consoante as condições do mar)
è  Opção 1 (20km): navegação para mar aberto, saindo pela barra e rumando a Norte, ao longo do extenso areal da Figueira e Buarcos, cruzando o Cabo Mondego até à Murtinheira, regressando pelo mesmo percurso;
è Opção 2 (20km): descida do Mondego entre Montemor e Figueira da Foz,
16:00 – Final do percurso, resgate das viaturas opção 2) e deslocação para local do jantar (a definir).
17:00 – Lanche e despedida.

2011/09/04

MISSÃO NIASSA, Agosto 2011 - Report

África, diziam-nos antes da partida, requer grande capacidade de improvisação, dada a imprevisibilidade de tudo. Na verdade, estas palavras revelaram todo o seu significado ao longo dos dezoito dias da expedição Lago Niassa Kayaking 2011, a qual, por via da imprevisibilidade e da consequente necessidade de improvisação, viu-se transformada no que poderíamos chamar de Trans-Niassa Aventura 2011.
Assim, uma expedição "kayaking for the people" transformou-se em "... for the people", sem o "kayaking", fruto, lá está, da imprevisibilidade. A história é simples: os dois kayaks da expedição não chegaram ao destino (Lilongwe- Malawi), perdidos algures entre Roma e Addis Abeba pela Ethiopian Airlines (a investigação do sucedido e os procedimentos legais estão a decorrer).
Mas, tratando-se de uma expedição solidária e com um vasto programa humanitário para cumprir, a KftP, após três dias de espera na desolada e pouco interessante capital do Malawi, decidiu, à falta de cão, caçar com gato, avançando para um périplo de duas semanas ao longo do Lago Niassa (Lake Malawi ou Lake Nyasa), fazendo uso de todos os transportes locais disponíveis (ferry, chapa, machibombo, jipe, taxi, canoa, lancha a motor...) e cumprindo o programa humanitário planeado, numa jornada tanto mais enriquecedora quanto a diversidade dos locais visitados, das situações vividas e das personagens encontradas na Província do Niassa, Moçambique e no Malawi.
Deste programa solidário destacamos os seguintes resultados:
- lançamento, na comunidade piscatória de Nkholongue do embrião de um projecto de aproveitamento turístico das actividades de pesca tradicional, gerido pelos próprios pescadores, com o apoio da Mbuna Bay Retreat;
- reunião, em Metangula, com o Sr. Mbaya, Secretário Distrital de Saúde do Lago, definindo prioridades dos apoios a curto e médio prazo, nomeadamente: a recolha, em Portugal, de equipamento médico para os centros de saúde mas remotos deste distrito (estetoscópios e esfigmomanómetros); aquisição e adaptação de uma lancha a motor para transporte urgente de doentes; redefinição da distribuição dos apoios angariados ao longo deste ano, destinados à aquisição de redes mosquiteiras infantis, face à próxima distribuição massiva deste material por parte da UNICEF nesta região;
- reunião com Dra. Peg Cumberland, da Associação Sal, Luz, Saúde, em Cobué. Face à importância do trabalho desenvolvido por esta médica inglesa ao longo dos últimos anos, a KftP decidiu encaminhar para a construção do novo centro de saúde de Cobué os donativos inicialmente previstos para aquisição de redes mosquiteiras. O projecto teve já início, com o fabrico dos tijolos necessários pelas várias comunidades e a construção arrancará ainda este mês, dirigida pela Associação Sal, Luz, Saúde e supervisionada pelas autoridades distritais e provinciais de saúde do Niassa;
- doação de medicamentos nos centros de saúde de Metangula e de Cobué;
- visita ao hospital provincial de Lichinga e reunião com Dr. Pedro Mendes, chefe do serviço de cirurgia. Foram estabelecidos os primeiros contactos exploratórios para avaliar a possibilidade de uma missão de cirurgia intensiva, em 2012. Ao longo dos próximos meses serão analisadas as condições existentes e necessárias à concretização da missão;
- sessão de formação para guia de canoagem de turismo, em Nkwichi Lodge - Manda Wilderness; colaboração com este projecto de eco-turismo na implementação e divulgação de um destino de kayak touring de classe mundial, com envolvimento directo das comunidades locais;
- apoio médico no posto clínico de Wamuzu (Salima, Malawi);
- apoio no orfanato das Irmãs da Caridade, em Lilonwe, Malawi;
Duas certezas ficaram deste périplo: foi muito mais enriquecedor do que teriam sido os 270 km em kayak inicialmente previstos (que se mantêm em agenda!); a ajuda ao desenvolvimento é um conceito que, no terreno, assume uma expressão concreta onde quer que se vá, tais são as carências. Nesse sentido, a Kayaking for the People terá ainda muito trabalho nesta frente moçambicana do seu Plano de Acção 2011-2013.

Photo-report